CASE 01 - O ARAUTO DO NÚCLEO DA TERRA!
O céu de Tóquio, geralmente cinzento de poluição e névoa, estava tingido de um laranja doentio. O calor emanava do asfalto derretido, não do sol, mas de algo muito pior. Um tremor sutil, que se transformou em um estrondo ensurdecedor, sacudiu os arranha-céus. O alerta de emergência soou em todos os telefones da cidade, uma cacofonia de sirenes e mensagens de texto de "Evacuação Imediata".
Wataru Ishigaki, um jovem de vinte e poucos anos com uma pilha de formulários de seguros em sua mesa, suspirou. Ele não ouvia as sirenes. Ele ouvia o ruido.
Um ruído que parecia raspar a própria realidade, um chiado sibilante que anunciava que a cortina entre as dimensões estava se afinando.
Ele olhou para a janela e sabia que era o único capaz de ver a coisa gigantesca que se arrastava pelo centro da cidade, distorcendo o ar ao seu redor como uma miragem infernal. Uma massa de escamas negras e carmesim, bulbos brilhantes como lava em sua pele e olhos que refletiam o inferno. O MagmaSaurus. Ele não era um monstro comum; era uma encarnação viva da destruição, uma relíquia de eras esquecidas, despertada pelo vácuo de poder deixado quando seu pai... Desapareceu!
Wataru se levantou, ignorando os gritos de seus colegas de trabalho que, agora, sim, ouviam a destruição se aproximando. Eles estavam correndo para as escadas. Ele correu para o armário.
Abriu a caixa. Lá dentro, perfeitamente dobrado, estava o Terno Amarelo. Não era apenas amarelo; era um tom que parecia brilhar com luz própria, bordado com fios dourados que formavam padrões complexos, quase como circuitos. Ao lado dele, uma caixa menor, contendo um baralho de cartas de bordas douradas. As Cartas Lock.
Ele vestiu o terno que se ajustou perfeitamente, como se tivesse sido feito para ele. Instantaneamente, o mundo mudou.
O chiado sibilante em seus ouvidos se intensificou. Ele não via apenas o MagmaSaurus; via a aura dele. Via linhas de energia que o prendiam a uma fenda na realidade, uma fenda que estava se rasgando pouco a pouco. Via os outros monstros, as sombras que se escondiam nas bordas da visão periférica, atraídos pelo banquete de energia que Wataru pegou o baralho e saiu do prédio, que agora estava sendo evacuado em pânico. O ar estava irrespirável. O MagmaSaurus estava a apenas dois quarteirões de distância.
"Wataru Ishigaki! Relatório!", uma voz autoritária cortou o caos. Um drone pairava na frente do jovem com a voz da Comandante Hina Tanaka, da Força de Defesa a Kaiju(FDK). Uma mulher de aço, com olhos que haviam visto o pior. Ela liderava um esquadrão de tanques e jatos blindados, que agora se posicionavam em formação de defesa. A FDK não atuava há sete anos, desde o último grande incidente, quando seu pai desapareceu. Ele mantinha contato com a força para que, quando coisas desse tipo acontecessem, eles tivessem um plano de ação.
Pela câmera do Drone, Tanaka olhou para o terno de Wataru. "É verdade, então. O novo Guardião."
"Comandante", disse Wataru, sua voz tremendo um pouco. "Ele é muito grande e está drenando a realidade ao redor dele. A aura é instável."
"Nós sabemos disso. Nosso trabalho é fazê-lo sangrar. Você fará o resto." Tanaka não perdeu tempo com perguntas. "Esquadrão Delta, fogo de contenção na perna esquerda! Beta, foquem na cabeça! Alfa, mantenham distância e ataquem os flancos!"
O ar explodiu em chamas e metal. Os mísseis e balas da FDK atingiram o MagmaSaurus com a força de uma tempestade de artilharia. O monstro rugiu, um som que fez as janelas do prédio próximo estourarem, e a terra tremer. Mas os seus ataques pareciam apenas irritá-lo. As escamas absorviam o impacto, a lava em seu corpo explodia em resposta.
Tanaka, em seu veículo de comando, xingou. "Não está funcionando! Ele é muito resistente! Ele está gerando calor que desvia nossos mísseis!"
Wataru olhou para as Cartas Lock. Ele sentia o poder delas. Elas não eram apenas prisões; eram chaves. Chaves que precisavam de um canal.
"Comandante! Eu preciso de uma distração! Eu preciso que ele se concentre em um ponto!"
Tanaka, avaliando o risco, "Você tem um plano, garoto?"
"Algo assim."
"Esquadrão Alfa, lancem todas as granadas de fumaça e luz! Esquadrão Beta, concentrem todo o fogo na crista dorsal! AGORA!"
O céu foi preenchido por uma cortina de luz cegante e fumaça densa. O MagmaSaurus, desorientado, rugiu para o céu e lançou uma torrente de lava em direção ao Esquadrão Beta, que recuou em alta velocidade, mas um dos tanques foi atingido e engolido pelo fogo.
Era a hora da armadura suprema da FDK brilhar. Ele se chamava Griffon Guardian. Uma nave de assalto com enorme poder de fogo e raios de energia. Ela veio em um rasante com um primeiro ataque que atordoou a fera. Em seu segundo mergulho conseguiu uma vantagem de ataque que Wataru precisava!
O MagmaSaurus tropeçou, uivando de dor. A lava em seu corpo se espalhou, a fumaça subiu ao céu.
O monstro estava enfraquecido. A sua aura, antes brilhante e estável, agora oscilava.
Wataru, ofegante, sacou uma carta. Uma carta com um símbolo de prisão, um cadeado dourado. A Carta Lock.
Ele correu para a frente, ignorando o calor e o medo. Ele se aproximou do MagmaSaurus caído, que se contorcia no chão.
Apontou a Carta Lock para o monstro. O terno em seu corpo pulsou com uma luz dourada.
"PELA VONTADE DO GUARDIÃO! EU TE ORDENO! VOLTE PARA ONDE VEIO!"
A carta brilhou intensamente, e uma corrente de energia dourada saiu da carta e se enrolou ao redor do corpo do MagmaSaurus. O monstro rugiu, tentando se libertar, mas a energia o envolveu, como uma rede de luz.
Uma luz ofuscante emanou do corpo do monstro, e em um piscar de olhos, o MagmaSaurus desapareceu. A fumaça se dissipou. O silêncio desceu sobre a cidade.
Wataru caiu de joelhos, exausto, o Terno Amarelo desbotando lentamente. A Comandante Tanaka e o resto da FDK se aproximaram, com expressões de choque e admiração.
"Você conseguiu...", murmurou Tanaka, olhando para o local onde o monstro estava. "O novo Guardião... ele é real."
Wataru olhou para a Carta Lock em sua mão. Nela, a imagem do MagmaSaurus com seu nome do lado. Sentiu um peso indescritível em seus ombros. Não havia salvado apenas o dia. Abriu uma porta que, ele temia, nunca mais poderia ser fechada. E ele era o único com a chave.
CONTINUA...

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