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MESOMON

MESOMON - 1/2 MONSTRO
O corredor do hospital cheirava a antisséptico e a segredos enterrados. Mitsuko, a Secretária de Defesa, sentia o peso do cargo nos ombros. Ao ver Megumi, sua filha, desfeita em lágrimas ao lado do leito do namorado Takeda, a política deu lugar à mãe.
"Mãe será que o Takeda vai melhorar? O Ikeda e aquela gangue dele iam me matar senão fosse meu namorado, tadinho! Eu quero o meu Takeda de volta!" Megumi soluçou, os olhos vermelhos de ódio e exaustão. "Aquele monstro intocável! Maldito Sr. Ishimori! Por que ele está protegendo aqueles vermes?"
Mitsuko acariciou o rosto da filha, o silêncio sendo sua única resposta. A menina não sabia ainda, mas Ikeda e sua gangue foram massacrados na noite anterior e se encontravam em estado grave no hospital. Testemunhas disseram que foram as próprias trevas que os atacaram. A polícia até buscava um rastro humano, mas a perícia só falava em "necrose inexplicável" e "sombras sólidas". Por este motivo, o Sr. Ishimori, um influente político, pediu empenho à equipe de investigação por meio do prefeito. O que caiu no colo de Mitsuko.
Enquanto o Prefeito esbravejava ao telefone sobre o "atentado terrorista" contra o filho do influente Sr. Ishimori, ela observava Megumi através do vidro da UTI. Se Takeda não tivesse servido de escudo, sua filha seria o corpo naquela cama, ou pior.
Para Mitsuko, as "feridas impossíveis" encontradas nos agressores não eram um crime, mas uma sentença divina. Ela já se decidira instruir seus assessores a perderem prazos e burocratizarem as perícias; a morosidade seria sua arma política para proteger o justiceiro anônimo, quem quer que fosse.
Na capela do hospital, Mitsuko encontrou o pai de Takeda. O homem de sessenta anos, ombros curvados e mãos trêmulas, parecia um espectro de simplicidade. Mas quando ele se virou, o sangue de Mitsuko gelou.
Sentiu um formigamento nas pontas dos dedos, uma lembrança de quando as estrelas obedeciam ao seu comando sob a alcunha de Starla.
Anos atrás, Starla era a luz que combatia o abismo, e Kenji era um dos monstros de trevas, o que recebeu a missão de, como um lindo humano, seduzir e desviar a guerreira de sua missão.
Após um namoro quase perfeito, ela descobriu tudo e ela jurava ter desferido o golpe fatal naquele que amara e odiara com a mesma intensidade.
"Como ele não morreu? A execução estrela falhou justo com esse maldito?!" Se lembrava de um momento de ternura e contrapunha com outro de terror diante da real forma de trevas dele... Ela mudou seu pensamento sobre o caso.
"Ele vai pagar por ter atacado Ikeda. Não deveria nem estar aqui! Isso acaba agora!"
Mas quando seus olhos se cruzaram, o tempo dobrou sobre si mesmo. O impacto foi físico. O ar faltou e a realidade oscilou.
— Kenji? — O nome era uma cicatriz que se abria.
O homem se virou, e por um instante, a imagem do senhor pacato foi sobreposta pela personificação das trevas que, décadas atrás, seduzira a guerreira Starla. O primeiro instinto de Mitsuko foi o ódio. O desejo de entregá-lo ali mesmo, de vingar a jovem que ele desviara. Ele era o erro de sua juventude, a mancha em sua luz.
Mas as palavras de acusação morreram na garganta. Ela olhou para Kenji e não viu o conquistador de mundos, mas um homem que, em vinte anos, nunca a procurou, nunca usou seu nome e nunca tentou destruir sua vida. Ele escolhera a obscuridade de uma vida comum para criar um filho que agora era o grande amor de sua filha Megumi. Naquele silêncio, Mitsuko compreendeu que talvez a sedução do passado não fora um jogo. Ele realmente a amara a ponto de aceitar a própria "morte" e desaparecer para que ela pudesse brilhar.
"Você desistiu de tudo por ele" ela sussurrou, a raiva dando lugar a uma melancolia profunda.
"Eu não podia deixá-los impunes por tocarem no que sobrou do meu coração!" — Kenji respondeu, e um rastro de fumaça negra dançou sutilmente sob suas unhas cansadas.
Mitsuko tocou o ombro do antigo inimigo, sentindo o calor de um homem, não o frio de um monstro. Ela sabia que, ao protegê-lo, estava selando um pacto com o abismo, mas era um preço pequeno para honrar o homem que ele se tornara. Os dois sorriram com ternura. Se o amor romântico os separou no passado, o amor pelos filhos curou as cicatrizes e o caso acabou sendo encerrado por falta de provas.

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