Pular para o conteúdo principal

BAD GUY

A tela de LED flutuante sobre o cruzamento de da rua central exibia o rosto de um âncora de telejornal com expressão grave.
"Continuamos monitorando o cerco ao bunker da D.E.T. (Defesa de Elite da Terra). O porta-voz do Governo Global confirmou que a unidade está oficialmente desativada após um surto psicótico do operativo 315. O ciborgue, que sofreu uma falha catastrófica em seu núcleo lógico, assassinou todo o seu pelotão e agora mantém a base como refém. Especialistas alertam que o 'Badguy', como já é chamado nas redes sociais, representa uma ameaça iminente à segurança da cidade. Uma unidade de contenção privada já foi enviada para neutralizar a ameaça."
Dentro do bunker, o som da TV era apenas um eco distante e distorcido. Eis estava sentado sobre os restos fumegantes de uma criatura que, há dez minutos, vestia o uniforme de um general de cinco estrelas. Ao redor dele, o cenário era um necrotério de metal e biologia alienígena. Seus companheiros não morreram em combate justo; foram executados por "avaliadores" humanos "falsos" que revelaram garras onde deveriam estar dedos.
Eis limpou o sensor óptico. Ele sabia que a transmissão lá fora era uma mentira para justificar a demolição do lugar com ele dentro.
Um som metálico, rítmico e cortante, ecoou pelo corredor de acesso sul. Não era o passo pesado de um robô, nem o rastejar viscoso das feras. Era elegante.
Rouge surgiu entre as sombras. Sua armadura vermelha brilhava como sangue fresco sob as luzes de emergência. Ela não carregava fuzis, apenas duas lâminas de energia que vibravam em uma frequência que fazia os dentes de Eis doerem.
"O governo investiu muito em você, 315" — a voz dela era filtrada, doce e letal. "É uma pena que o software de lealdade tenha expirado."
"Eu vi o que eles são, Rouge" — respondeu Eis, levantando-se com dificuldade, os servos da perna esquerda protestando. "Você serve a monstros."
"Eu sirvo ao vencedor. E hoje, o vencedor quer você morto."
O combate não teve preliminares. Rouge moveu-se como um borrão escarlate. O primeiro choque de lâminas iluminou o hangar da D.E.T., lançando faíscas que derreteram o concreto. 
  Ela era mais rápida, um modelo de infiltração otimizado para duelos. Uma versão mais avançada de ciborgue que Eis. Ele, por outro lado, era um tanque de guerra em forma humana.
Uma sequência de balas explosivas. Ela saltou pelas paredes, desafiando a gravidade, caiu sobre ele com um golpe que partiu a ombreira de Eis. O cyber soldado revidou com um soco de pressão hidráulica que arremessou a contra um tanque de combustível.
Eles se arrastaram pelas salas da D.E.T., destruindo décadas de tecnologia de defesa. Os golpes de Rouge arrancavam uma parte da humanidade de Eis — um sensor, uma placa de proteção, um pedaço de pele sintética.
Eis percebeu que não venceria na velocidade. Ele precisava de um erro. Na sala de comando, ele baixou a guarda. 
Rouge viu a chance e cravou sua lâmina de energia diretamente no peito de Eis, buscando o núcleo.
Era a armadilha.
Eis não recuou. Ele iniciou os mecanismos de trava da própria armadura, prendendo a lâmina dela dentro do seu peito. Com a mão esquerda, ele agarrou o pescoço de Rouge.
"Se eu sou o vilão... "— Eis ativou o comando de sobrecarga manual " ...eu vou levar o sistema comigo."
Ele não detonou o bunker. Ele fez algo pior. Forçou um upload de interface neural. Usou seu próprio cérebro como ponte para invadir os sistemas de Rouge, fritando os circuitos dela, mas ao custo de queimar suas próprias memórias.
O silêncio voltou ao bunker. Ela estava caída, uma casca vazia, viva mas com o sistema nervoso permanentemente em curto-circuito. Eis de pé, seu visor estava rachado e escuro.
Ele venceu. Os alienígenas perderam sua melhor assassina, o bunker não foi destruído. Mas o preço foi absoluto. A sobrecarga acabou com o banco de dados de Eis.
Suas mãos cobertas de óleo e sangue. Mas não lembrava o nome dos companheiros que vingou. Não lembrava seu o rosto antes da cirurgia. Não tinha mais as provas contra o governo, pois os arquivos foram deletados no contra-ataque. No núcleo de programação se mantinha "proteja o bunker da Elite da Terra". Depois deste episódio o governo se convenceu de que Eis não iria parar e que estaria mais forte agora depois deste confronto. Rouge era o auge do que eles poderiam enviar. Eis ia continuar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AURION 18

  os vemos dentro de um dos prédios mais classudos de Tóquio, com 85 andares. Numa das portas há os dizeres “Dr. Crowley Aoki, Advogado de casos perdidos”. No balcão de atendimento, há um Soldado Mazog vestido como secretária, atendendo o telefone. MAZOG- Escritório do Advogado Crowley Aoki. Se não podemos salvar sua pele, ninguém mais pode. Pois não? Dentro da sala, Crowley, em sua forma humana, está suspendendo um homem pelo tornozelo com apenas uma mão, do lado de fora da janela! A vítima grita desesperada. HOMEM- POR FAVOR, EU TE IMPLORO, SR. AOKI! POUPE MINHA VIDA! EU PROMETO QUE COMPENSAREI MEU GRANDE ERRO! NÃO ME JOGUE!!! CROWLEY- Sinto muito, Shimokawa. Esse é o castigo merecido por não ter honrado nosso trato. Você prometeu ao SINMASK um caminhão com 30 milhões de charutos cubanos batizados com haxixe para tirarmos você da prisão, mas nos mandou charutos comuns! SHIMOKAWA- PERDOE- ME, PELO AMOR DE DEUS! FOI UM DESCUIDO DO NOSSO CARREGAMENTO, JURO QUE FOI APENAS UMA TROCA E...

AURION 15

 Museu Internacional do Cairo, Egito. Meia- noite. Tudo parece tranqüilo, os seguranças perambulam pelos corredores e salas de maneira bem silenciosa. De repente, alguém toca a campainha na porta dos fundos. GUARDA 1- Eu atendo. A porta é aberta. À sua frente está um homem em trajes de carteiro. GUARDA 1- Pois não? CARTEIRO- Com licença, perdão pela hora, mas acabamos de encontrar esta caixa lá no depósito dos correios, endereçada ao Museu. GUARDA 1- Estranho, não havia nenhuma entrega esperada para hoje... Dê- me ela aqui e decidiremos o que fazer. CARTEIRO- Sim senhor. Assine aqui. Ele assina os formulários e fecha a porta. O carteiro dá as costas e começa a andar devagarinho, mas ao cruzar a rua ele sai correndo, até chegar a um beco. Logo ele rasga a pele do rosto como uma máscara de borracha, revelando ser um Mazog. Ele puxa um tipo de antena do dedo indicador. MAZOG- Câmbio. O malote já foi entregue. Vamos iniciar a operação. Ouve-se a voz de Anjel, que está em algum lugar ap...

AURION 16

  Nas proximidades de uma enorme represa, vemos um novo Kaizog, com roupas de esquimó , um enorme arpão numa mão e um canhão no lugar do braço esquerdo, causando um monte de destruição no lugar. Todos os trabalhadores e visitantes do local tentam fugir desesperados dos ataques do robô gigante e dos escombros que caem. Perto dali... COMANDANTE-VIKTOR CHANGE agora! HELENA- OK!  AURION & HELENA- VIKTOR CHANGE! Ao dar o comando, diante de Aurion e de Helena aparecem teclados de comando especiais, com um orifício redondo no centro do de AURION. Ele retira a AURION BLADE e a guarda no orifício, iniciando a seqüência de metamorfose. A nave é atingida por um relâmpago dourado e se enche de energia. As turbinas inferiores se alongam, formando as pernas. As turbinas centrais giram em 90° para cima, formando os braços. As mãos saem de dentro das turbinas. A parte da cintura dá um giro de 180°. O nariz gira 180° para baixo, formando o torso e o abdome. A cabeça sobe para fora do espaç...